segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

COISAS DE DEUS E COISAS DO DIABO


Não sei se por regra ou costume, mas alguém deve ter assim estabelecido, na língua portuguesa se usar de para as coisas relacionadas a Deus e do para as coisas relacionadas ao Diabo.Ficando assim bem claro que o que diz respeito e é relacionado a Deus é impessoal, coletivo e geral; mas quando se refere ao Diabo o próprio do (de o) é pessoal, individual.Pois fica assim bem claro que a pessoa de Deus é o todo enquanto o Diabo é uma inteligência à parte, individual e egoísta.
Pronunciando desta forma, automaticamente filosofamos também desta mesma forma e esta idéia já fica arraigada em nossas mentes, pois pensar quase sempre ou para quase todos está muito relacionado com a etimologia.
O de coloca Deus como algo inalcançável, enquanto o do coloca o Diabo como uma entidade intima que pode até mesmo habitar o mesmo corpo do indivíduo.E isso faz sentido, pois o Diabo é relacionado com o ser, com a matéria, enquanto Deus é relacionado com o não-ser e com a antimatéria.Da mesma forma que o corpo está para o Diabo e o espírito está para Deus.
Pois bem, partindo do princípio em que acreditamos ou temos quase certeza de que somos espíritos que habitamos corpos precisaremos achar a harmonia entre ambos, Deus e Diabo terão de caminhar de mãos dadas em total comunhão.Se assim não for, caminharão algemados e contrariados.
Aí é que está a diferença entre o panteísta e o maniqueísta; o primeiro tenta aceitar sua existência caótica num corpo e mundo caótico que ele na maioria das vezes não tem controle, se conforma e tenta viver da melhor maneira possível, enquanto o segundo prefere temer a Deus, culpar o Diabo, e com seu egotismo buscar a uniformidade do comportamento coletivo de forma que ele possa com certeza tirar proveito.
Claro que é importante alcançarmos àss coisas de Deus, a evolução espiritual, a transcendência filosófica.Mas quando um ocidental se torna monge mendicante é taxado logo como louco senão internado num manicômio.Mas não é preciso chegar a tanto, podemos fazer como Buda nos ensinou sem precisar passar pelo que ele passou para encontrarmos o caminho do meio.Basta não negarmos as necessidades da matéria, as exigências do corpo físico, em resumo a inquietação da cauda do nosso Diabo.
A vida serve para nos ensinar, cada momento contém um ensinamento, basta analisarmos as premissas que o ABSOLUTO nos concede em cada segundo de nossas vidas.O que chamamos de Diabo é nosso inegável instinto animal, e isso pode comprovar cientificamente dentro de nosso limitado paradigma: somos animais.O que não podemos provar é a existência do espírito.E isso é muito bom, pois quando nos deparamos com um ateu somos obrigados a deixar de lado a pretensão de nos acharmos superiores aos animais que rotulamos irracionais.
O equilíbrio está em crescermos o material em proporção ao espiritual, não é preciso negar nenhum dos lados para desenvolver o outro;é claro que a própria roda de SAMSARA se encarrega de girar e desequilibrar tudo novamente, mas isso faz parte e se faz mister para a evolução do indivíduo; asceta ou não todos nós mais dia menos dia nos rendemos e crescemos, isso é uma questão de tempo.
Por fim não há o que temer ou com o que se preocupar, a eternidade é atemporal.Irmãos, deleitemo-nos com a vida que nos é concedida a todo o instante pelo antagônico Absoluto.

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