Pela janela do meu quarto avisto um beija-flor, ele não beija flor, mas beija o muro,então deduzo que deve ele estar comendo formigas que estão nas cavidades do salpico do muro,se é que os colibris comem formigas.
Fico maravilhado com o encantador bichinho, sua destreza no vôo, rapidez do bater de suas asas, de como ele paira no ar. Penso, como Deus pode ter criado tanta maravilha, se é que foi Ele que criou, pois eu vejo nessas formas a existência Dele, seu lado bom e belo; ou talvez Ele tenha sido criado por uma força ainda superior ao que nós concebemos, ou nem tenha sido criado, mas de que isso importa?Morrerei sem nada saber ou entender; já não mais me importo com a criação, cosmologia, mas sim em contemplar o Absoluto com os olhos do coração, penso como Jung, não preciso acreditar, mas sim entender da existência de Deus.
Deus como um todo, como tudo, velho e menino, homem e mulher, bom e mau, bonito e feio, humano e bestial, abominável e maravilhoso.Assim como eu, que tenho a capacidade de ser tantos, tantas, muitos que até desconheço e quando com eles me deparo com educação digo: ”muito prazer, minha nova face, seja bem vinda.”
O mundo é tão infinitamente belo para sermos apenas um, a personalidade, o ego, nos limita de sabermos e sermos muito mais, de crescermos mais, dói crescer, mas depois nos dá muito prazer, prazer e dor, dois lados da mesma moeda que pagamos por sentir, mas de que valeria a vida sem sentir?Não se pode conhecer o prazer sem conhecer também a dor, é o preço.
E o colibri continua a beijar o muro enquanto meu devaneio filosófico dança entre meu coração e meu cérebro incapaz de catalogar tal maravilha.Vejo então que só o coração pode entender sem catalogar, classificar, rotular; é hora de apenas acreditar e se deleitar na contemplação. E aí, quando menos espero o colibri voa direto em direção a nordeste, e eu digo a ele: Tchau Deus...
quarta-feira, 16 de maio de 2012
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