quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mors

MORS


Sou a mais bela donzela de tuas fantasias
Posso te levar a toda parte num piscar de olhos
se me deres tua mão sem medo ou aflição
Igualarei-te aos reis e poderosos
Te mostrarei a face dos deuses
A realidade dos mortais
Comigo aprenderás como melhor viver
E que a vida não ocorre sem mim, pois sou
a outra face dela...
Nos meus braços te acalantarei e confortarei
Sou aquela que te trás,te leva e te mantém no
mundo em que habitas e não consegues entender
Tenho a chave de todos os mistérios que anseias
desvendar e conhecer
Me aceite com resignação mas não venhas a meu
encontro, porque só as Moiras saberão à hora de
me enviar a ti

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A CRUELDADE DE DEUS


A CRUELDADE DE DEUS

Deus é apresentado na condição de Pai, pois as religiões mosaicas atribuíram a Ele a criação do homem à sua imagem e semelhança, e através de sua onisciência é capaz de castigar seus filhos. Filhos que por sua vez se regozijam com as desgraças e desventuras de seus irmãos usando frases como:
Deus não mata, mas achata.
Deus está vendo tudo.
Deus é pai, não é padrasto.
Deus castiga.
Deus tarda, mas não falha.
Deus cochila, mas não dorme.
Deus dá nozes para quem não tem dente (Essa é quando se questiona o merecimento de algo benéfico).
Deus dá asas para quem não sabe voar.
Deus é testemunha (Quando não se tem outra).
Se Deus assinalou é porque algum defeito achou (Quando se refere a pessoas defeituosas).
Papai do céu não gosta (Muito usada pelos pais para repreender os filhos).
Papai do céu fica triste.
Papai do céu chora.
Deus está te testando (Será que Ele não tem outra coisa mais séria para fazer?).
Deus sabe o que faz (Claro, pois Ele é Deus. Mas será que é sempre Ele que o faz? Ou somos nós?). Deus que me perdoe (Quando estamos prestes a fazer o que sabemos que não deveríamos, ou sabemos que nosso ato não merece o perdão a não ser Dele).
Se Deus quiser (Quando se quer largar a responsabilidade nas mãos Dele e pouco fazer.)
Deus dá o frio conforme o cobertor (parece que milhares de pessoas não morrem de frio no inverno).
E outros tantos disparates.Mas o que mais me assombra é o temor que as religiões mosaicas nos implantam a Deus.Como poderemos amar e temer a mesma criatura? Hora, Deus aparece como pura bondade, benevolência, tolerante e paciente e, hora vingativo, implacável, cruel para não dizer sádico, pois enviou seu filho dos céus para ser sacrificado, torturado e humilhado para salvar o mundo e não salvou coisa nenhuma, pois passados dois mil anos, tudo piorou.O homem hoje tem cada vez mais desrespeito por sua espécie e planeta, cada qual com um deus de nome diferente, mas com conceitos iguais, usando sempre cada um o seu deus para desculpar ou afirmar suas atitudes nefastas e desumanas.
CRESCEI E MULTIPLICAI. Será que Deus na sua inteligência, onipotência e principalmente onisciência não pôde prever o grande problema que essa frase causaria na demografia? Ou essa frase é mais uma das estratégias ladinas das religiões mosaicas?
Hoje encontramos um mundo interligado e super povoado, mil informações que confundem tudo e todos, ficando assim mais fácil de manipular, escravizar e dominar a grande massa populacional. Devido a isso tudo o desespero é generalizado, fome, desemprego ou subemprego, falta de fé ou fanatismo.A fé é vendida como bananas na feira, ilusões são vendidas para aliviar a dor, dos pouco ou quase nada esclarecidos, fé empacotada, embalada e principalmente televisionada. Mitos nascem do nada sem nenhuma egrégora, nascem da covardia dos ladinos exploradores de coitados sem esperança.
A idéia maniqueísta de separação entre Deus e Diabo, tão usada nas religiões mosaicas influenciou também, infelizmente, muitas das religiões da natureza, devido ao sincretismo que muitas vezes se fez obrigatório para a continuidade destas religiões que a igreja condenou e perseguiu na inquisição. Acrescentando assim dogmas e cosmovisões completamente distorcidas, formando adeptos e até sacerdotes que na verdade não passam de mercenários usurpadores e mitômanos.
Aqui no Brasil temos o exemplo visível dessa minha colocação nas religiões afro-brasileiras: Umbanda, Quimbanda, Batuque, Candomblé e outras. Hoje em dia a maioria dos pais-de-santo não iniciam uma pessoa sem que a mesma seja anteriormente batizada na igreja em nome de Cristo. Ameaçam seus adeptos com castigos dos Orixás, se colocam no pedestal dos deuses e se fazem adorar como tais, comportamentos que não têm nenhuma conexão com a tradição trazida pelos negros com tanto sofrimento nos porões dos navios negreiros. Coloco essa observação lamentável na condição de Babalorisa (função que exerço a vinte e sete anos).
A Igreja Universal do Reino de Deus vende amuletos e faz promessas fantásticas de cura e riqueza pela televisão, garantindo felicidade conjugal, amor correspondido e a satisfação interior a custa de um comércio financeiro com Deus. Em contrapartida condena a magia e o exoterismo.
A cada dia que passa encontro uma nova forma de fé vendida nas esquinas, busco muitas vezes saber de quem vende qual a procedência do mito, mas nunca obtenho respostas, são formas de fé vendidas e embaladas como sabonetes, compramos o que cheira melhor, mas não o que realmente desinfeta.
Também tenho notado o uso do crucifixo de cabeça para baixo, do pentagrama invertido e de uma porção de figuras antropozoomórficas em camisetas e tatuagens. São pessoas na maioria jovens que nem sabem o que estão fazendo e o fazem numa forma de rebeldia, pois desconhecem o significado de tais símbolos ou pentáculos. Quando aderimos ao panteísmo não negamos Cristo e nem outro ícone de bondade e fraternidade, apenas acoplamos e reunimos, religamos a energia positiva com a negativa, como no yin e yang. Não é salutar a mudança dos pólos, mas sim, como disse Buda, encontrar o caminho do meio, o equilíbrio.
Para ser mais claro, o que pretendo mostrar nesse capítulo não é a crueldade de Deus, mas a crueldade do homem, que inventou tantos deuses para deles se servir em nome de Deus. Quase todas as civilizações usaram da religião como uma forma de controle, exegese aderindo como ferramentas eficazes o MEDO (da morte e pós-morte, miséria, doenças, e todas as coisas que fogem de nosso controle) e a SUBMISSÃO como forma de salvação eterna num paraíso e de aprovação social. Mas mesmo o cidadão exemplar sempre é assaltado por alguma injustiça ou calamidade que julga não merecer. Não há problema, pois sempre haverá uma desculpa divina para consolar e redimir o sancionado (que por sua vez sempre acaba por lembrar de algum ato falho, pois quem não os pratica?). QUEM NÃO TIVER PECADO QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA, e nem mesmo Jesus atirou, pelo contrário, consolou Maria Madalena.

DE DEUSES FORAM FEITOS OS DEMÔNIOS


Devido a muitos êxodos os hebreus conheceram e até muitas vezes adaptaram cultos procedentes de várias zonas mitogenéticas.Vários deuses por eles cultuados tomaram parte tanto no cenário do evangelho canônico quanto no apócrifo, e o cristianismo, igualmente ao islamismo, seguiu o mesmo exemplo, condenando assim muitos deuses a condição de demônios, entidades do mal e para o mal.
É preciso analisar melhor a procedência mitológica desses ditos e malditos diabos. Pois a partir do momento que cada religião se coloca como dona da verdade e portadora da palavra de Deus com direitos autorais e tudo, foi preciso fazer uma limpeza e desbancar os componentes do politeísmo para instituir com glória e ameaça o monoteísmo.
Quando Moisés desce do monte Sinai trazendo em mãos os dez mandamentos encontra seus seguidores adorando um deus zoomórfico em forma de touro feito de ouro. Moisés fica irado e o resto da história ou estória todos sabem. Pois, Osíris e Ápis eram representados zoomorficamente pela figura de touro. Hátor, Nuit e Isis eram deusas vacas.
O Diabo tem guampa por que muitos deuses tinham. Zeus (Júpiter) tomava características de touro e na hecatombe eram sacrificados cem bois em seu tributo; o deus Pan de forma caprina (antropozoomórfica) assim como os faunos tanto perseguidos na inquisição que desbancou o culto a mãe terra e ao deus cornudo (Nórdico); na Índia o deus Síva também se faz touro entre outras representações zoomórficas e usa o tridente que também é usado por Poseidon (Netuno), ferramenta concedida ao Diabo para ser associada a esses ditos deuses.É por isso que o Diabo tem guampas, tridentes (para nos espetar quando no inferno chegarmos, e bem que seu sadismo poderia ser mais sofisticado), asas, pois Ele é também um anjo caído (assunto que logo abordaremos mais detalhadamente) e em todas as suas performances, horripilante, fétido, asqueroso, feio e mau, características que associadas a seres humanos levaram muita gente para as fogueiras da inquisição. Às vezes uma simples verruga era prova do estigma colocado pelo inimigo em seu seguidor.Até hoje se vende nas lojas a quem nelas tem fé, bonecas em forma de bruxas velhas, feias, com verrugas e narigudas.
Nos contos de fadas e estórias infantis, principalmente nas dos irmãos Grimm, a mulher malvada é sempre feia e a boazinha linda e futuramente casada com um rico e belo príncipe.Isso me parece uma grande injustiça com a herança genética, pois ninguém escolhe antes de nascer sua forma, e se pudéssemos escolher certamente todos optaríamos pela figura da Linda Evangelista ou do Keanu Reeves.Porque o mal tem de ser associado com a feiúra e o bom com a beleza?Cristo não mandou fazer o bem sem olhar a quem, ver além das aparências?
Existe uma versão corânica da criação do homem que coloca o Diabo na denominação de AZRAEL como o demiurgo (criador do homem). Deus enviara Gabriel para a terra com a missão de criar o homem a partir de seu elemento, mas a mãe terra suplicou a GABRIEL que utilizasse outro material.Assim GABRIEL retornou ao céu sem cumprir sua missão.ALÁ então envia AZRAEL que cumpre a demiúrgica missão de criar o homem.Certamente o Diabo não sabia que estava criando a cobra para mais tarde lhe picar, pois concluída a GRANDE OBRA (nós, seres humanos) Deus chamou toda sua legião de anjos para adorarem sua criação e submeterem-se à mesma.Mas o Diabo na forma de EBLIS se negou alegando obediência apenas a Deus e não a um ser criado do pó e submetido à morte.E o mito se segue a partir daí com a rebelião dos anjos caídos se tornando demônios do mal como Lúcifer, Belial, e tantos outros anjos e deuses de outras mitologias atirados de forma drástica no mesmo caldeirão.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ori Inu

Conta o mito, que Ori Inu arranhava a cabeça de todos. Certa feita ao arranhar a cabeça de Sàngò deixou o mesmo muito irritado. Sàngò foi logo lhe perguntando:
-Como Ori Inu se atrevia tocar na cabeça de um rei?
Ori Inu então deixa Sàngò paralisado lhe tirando à dinâmica, explicando ao rei que lhe tocara a cabeça por ser ele a parte divina de Olódùmaré que habita em cada um de nós (no chakra cardíaco), sendo ele quem escolhe o Irúnmolè que vai dar Òrìsà (força na cabeça) na cabeça do indivíduo, Irúnmolè que seja mais adequado para nos dar Ire (bondade) na vida do Iaô (iniciado).
Na mitologia comparativa associamos Ori Inu com o deus Ptah egípcio, com o Ãtmã hinduísta, com o Divino Espírito Santo do Cristianismo, com Ruah Há-qodesh (sopro divino) do Judaísmo, com a Natureza de Buda do Budismo, com o Daimon dos Gregos; e com qualquer definição que nos faça parte integrante de consciência divina do Absoluto.
Nos rituais de iniciação se abre alguns chakras (principalmente o coronário) com pequenas incisões (pequenos arranhões feitos com navalha) para que Ori Inu possa sair e se expandir, adicionando assim elementos relacionados com o òrìsà correspondente ao iniciado.O ofó cântico diz:
-Forí, forí ó (tu sobressais, sobressai)
Olórí má ta yò (sobressai continuamente)
Olórí forí ta yò (use sua cabeça para sobressair continuamente)
Encontramos aqui uma forma de expansão de nossa consciência interior conectando-se com uma consciência superior, que é aquilo que chamamos Deus ou Absoluto, O Todo para ser mais objetivo, pois o Deus Supremo em todas as religiões, sejam elas politeístas ou monoteístas, maniqueístas ou panteístas, é sempre apresentado de forma quase inatingível, onipotente, onisciente e onipresente.
Para saber o Irúnmolè que foi escolhido por Ori Inu para dar Òrìsà na cabeça do Iaô é preciso recorrer ao oráculo, pode ser através do Opelé Ifá ou do Cauri (jogo de búzios) de outra forma ou de forma inadequada é muito perigoso se trocar à cabeça do iniciado, o que traria sérias complicações na vida do mesmo, como uma transfusão de sangue feita com um sangue de tipo ou fator RH diferentes do que tem o receptor.
O homem contemporâneo civilizado perdeu quase que por completo a relação com o divino subtraindo as tradições e os rituais de iniciação ao amadurecimento, substituindo os mesmos pelo vestibular, a universidade, o casamento, e outras formas competitivas de demonstrar seu valor; catalogando assim à religiosidade que passou a ser usada como simplesmente pompa e formas de aceitação da sociedade.
O filósofo americano Joseph Campbell, difusor da mitologia comparativa universal coloca a necessidade do homem de vivenciar o mito, pois somente dessa forma o homem poderá estar conectado e harmonizado com o Absoluto.
O arquétipo que vivenciamos através de iniciações que os reconhecemos nos leva em direção do auto-conhecimento, podendo assim nos conscientizar dos aspectos negativos e subtraí-los como dar ênfase as nossas aptidões positivas.

A EGRÉGORA DO SINCRETISMO

Umbanda, Candomblé e Batuque são religiões Afro-brasileiras oriundas das tradições africanas que cultuam Irúnmolè. Devido à inquisição que o Brasil sofreu do estado de São Paulo para cima os negros foram obrigados a disfarçar sua religiosidade mascarando-a com os santos católicos.
Na umbanda as imagens de santos católicos são usadas como ícones na representação dos Òrìsà, já no Camdonblé e no Batuque o sincretismo só influencia nas datas de festividades e comemorações dos santos.
Muitas vezes as atribuições dos santos são confundidas com as atribuições dos Irúnmolè, talvez por falta de informação adequada, pois isso também ocorre muitas vezes no que concerne a experiência de vida do santo que acaba sendo atribuída ao Òrìsà.
Penso que o sincretismo não é mais necessário nos cultos e na liturgia Aro-brasileira, portanto deve ser respeitado pelo fato de já estar instituída uma egrégora em torno disso. É claro que devemos abrir espaço para a postura que daremos segmento em relação aos iniciados à partir de agora.

Apresento então algumas associações sincretistas para aqueles que ainda farão uso delas.

ÈSÚ São Pedro (Lodé)
Santo Antônio (Agelu)

ÒGÚN São Jorge

OYÁ Santa Bárbara

SÁNGÓ São Jerônimo (Ogodo)
São Pedro (Airá)

AGANJÚ São Miguel Arcanjo
São João Batista (Deí)

ÌBÉJÌ São Cosme e São Damião

ÕBA Santa Catarina

ÒSÓSI São Sebastião

ÒTÍN Nossa Senhora de Lourdes

LÒGÚN-EDE Santo Expedito

ÌRÓKÒ Santo Onofre

OSANYIN São Roque
SÒNPÒNNÓ São Lázaro

OSUMARÈ São Bartolomeu

YEWÁ Santa Cecília

ÒSUN Nossa Senhora da Conceição (Pandá)
Nossa Senhora das Dores (Docô)
Nossa Senhora Aparecida (Demun)
Nossa Senhora das Graças (Yeye Care)
Nossa Senhora do Carmo (Miwà)

IEMOJA Nossa Senhora dos Navegantes

NÀNÁ Nossa Senhora de Santana

OSANLÁ Menino Jesus de Praga (Menino)
Divino Espírito Santo (Velho)
Coração de Jesus (Moço)

Pode haver diferenças de estado para estado do Brasil, aqui apresentei um exemplo, que é o que me cabe. É importante salientar que para podermos retomar o conhecimento esotérico e litúrgico dos povos africanos não podemos continuar misturando as coisas, e devemos pelo menos respeito a este conhecimento trazido da África com tanto sofrimento.

RESUMO DO MITO DA CRIAÇÃO


Olódùmarè (dono dos odús maiores, deus supremo) ordenou a Osanlá (òrisà maior) a tarefa da criação do mundo, entregando a ele o saco da criação, este saco é composto por três cores: branco que corresponde à essência; preto que corresponde ao destino (odú), e o vermelho que corresponde ao àse [veículo, chave que nos abre o caminho para receber energia positiva (ire) ou negativa (osobo)].
A escolha de Olódùmarè provocou indignação a Èsú, pois esse tinha o desejo de ser o criador do mundo, sendo assim Èsú sabotou três vezes a trajetória de Osanlá fazendo em sua terceira tentativa que o mesmo sentisse sede e bebesse vinho de palma.Embriagado, Osanlá adormece e Èsú rouba-lhe o saco da criação entregando a Olódùmarè na esperança de ser o próximo escolhido para a tarefa, mas para sua surpresa Olódùmarè elege Obatalá (rei do branco, primeiro ser criado, correspondente ao Adão Cadmon) para a tarefa da criação do mundo.
O mito da criação se segue com o uso de uma galinha e de um pombo que ciscam a terra e a água para misturar e sulcar formando assim os rios, as montanhas, os oceanos e vales.
Quando Olódùmarè vem na terra (aiyè) traz consigo 801 Irúnmolè [seres especiais, com tarefas relacionadas com a criação do mundo e do homem, podiam se transportar telepaticamente entre o òrun (céu) e o aiyè (terra), forças telúricas que compõem a natureza].Com Olódùmarè voltaram 401 para o espaço (òrun), que são denominados Òkànlénírinwó Irúnmolè, ficando aqui os Igba Irúnmolè Ojúkòtún (200 da direita) e os Igba Irúnmolè Ojúkòsì (200 da esquerda) como intermediários do absoluto (Olódùmarè).
A espécie humana é filha genérica de Iemoja e individual de Òsun, deusas que na mesma ordem são mãe e filha, pois Òsun é filha de Osanlá e de Iemoja.
Assim como na Grécia antiga nós humanos somos influenciados pelos deuses arquetipicamente, pois para cada indivíduo é escolhido um Irúnmolè para nos dar força na cabeça (Òrisà), nos concedendo assim Ire (bondade) para facilitar nossa trajetória sobre a face da terra.
Ori inu (cabeça interior, deus interior, centelha divina) é quem escolhe o Irúnmolè mais adequado para nos dar Òrisà (força na cabeça, traduzindo: “ele olhou e escolheu”), pois Ori inu habita em nosso chakra cardíaco, correspondendo nossa natureza divina.Sendo assim nos identificamos com nosso Òrisà, com suas características físicas e com sua personalidade da mesma forma que ocorre com nosso horóscopo; com a diferença que a influência do Òrisà é relacionada ao mesocosmos enquanto a influência do horóscopo corresponde ao macrocosmo.Esta conotação se encaixa perfeitamente quando recorremos à religião comparada ou mitologia comparativa universal, pois os Irúnmolè se enquadram perfeitamente nas mitologias Grega, Romana, Egípcia, Indiana e Nórdica.Mas isso é assunto para um outro capítulo específico ou até, se nos aprofundarmos muito, para um livro à parte.
Outra semelhança do mito Yorubano com as outras mitologias é a mortalidade, esse mito é chamado de Ita da imortalidade: “No início os seres humanos não morriam mas envelheciam e se tornavam muito chatos, insuportáveis, então Olófin (outro nome de deus) chamou Ikú (morte) e lhe ordenou tomar a providencia de criar um dilúvio de forma que os velhos afundassem e os jovens flutuassem”.Isso não quer de forma alguma menosprezar a condição anciã, pois na tradição Yorubana todo o mais velho é respeitado e referido como Babamí (meu pai) ou Yamí (minha mãe) sendo responsável por todo o mais novo no que se refere à educação e a criação do mesmo.